
Raining in the Mountain
LOUIS SKORECKI, 19 de
JANEIRO de 2004 às 22:07
Cinécinéma
auteur, 0h 40
Imagine um filme
bastardo, inclassificável. Algo como Mizoguchi revisto por Leone. Não o
Mizoguchi preto e branco (A Mulher Infame, A Rua da Vergonha), mas algo mais
próximo do Mizoguchi colorido, que apreende seu distanciamento do passado: A
Nova Saga do Clã Taira, A Imperatriz Yang Kwei Fei. É preciso audácia para
reapropriar-se do lirismo desses dois filmes testamentos na forma de
caligrafias barrocas. O resultado é surpreendente: como se Hong Kong tivesse
inventado seu western-spaghetti, o Mizoguchi-spaghetti.
E é bom?
Em pequenas doses, sim.
E Raining in the Mountain
é tão belo quanto A Touch of Zen?
Ele vem dois anos mais tarde, em
1979. A Touch of Zen dura três horas, é mais excessivo, mais poético. O fracasso
do filme quase arruinou a carreira de King Hu. Raining in the Mountain é mais
modesto, mais engraçado. Serge Daney adorou e disse (Libération de 1º de agosto
de 1986) que ele o fizera “arqui-jubilante”. Estou completamente de acordo.
Quanto mais Daney é lacônico, mais ele é preciso.
Você quer dizer que os
textos longos dele são menos bons?
Quando ele se alonga, é
menos impactante.
Você também.
Entendi, vou ser curto e
grosso: King Hu é um artista burguês da China comunista. Entendeu?
Não.
Ele vem de uma família
tradicional de Pequim. Ele só foi para Hong Kong em 1949, com 18 anos. É um
autor completo, ator, montador, diretor de arte, produtor, diretor. Como um bom
paranoico, o que ele gosta é de complôs. Ele quer saber, aqui, o que acontecerá
com o grande mestre do monastério.
E ele? É um grande
mestre?
Não.
- E para o Rissient?
- Para o Rissient,
talvez.
Louis
SKORECKI
Tradução: Yuri Ramos
Publicado originalmente em: http://www.liberation.fr/medias/2004/01/19/raining-in-the-mountain_465753
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