
Loucura Americana. Ciné Cinéfil,
19h 15.
Por Louis SKORECKI — 19 de
fevereiro de 1997 às 17:21
Em 1932, Frank Capra já é
um grande cineasta. Ele contribuiu ao inventar, desde Tramp, Tramp, Tramp e
Long Pants, o formidável personagem burlesco de Harry Langdon. Tão personalista
quanto Buster
Keaton, esse eterno bebê empoado e extravagante transforma em vítima fantasma as
catástrofes de um mundo urbano no qual se sente definitivamente estrangeiro.
Capra se servirá mais tarde desta silhueta de poeta extraterrestre para criar
seus próprios personagens, de um estranho individualismo, ocupados em reformar,
a partir do sonho e da utopia, sociedades nas quais se sentiam excluídos.
Naquele momento, após já
ter assinado algumas obras-primas quase experimentais como Flight em 1929 (as
aventuras espalhafatosas de um grupo de aviadores num fabuloso som direto
pré-histórico), Rain or Shine em 1930 (uma antecipação das mais furiosas
aventuras dos Stooges ou dos Marx Brothers) e três melo-maravilhas de 1932,
Platinum Blonde, Miracle Woman e Forbidden, ele se lança alguns meses depois em
direção da aventura de American Madness. Produzido por Herry Cohn, este filme é
a primeira colaboração entre o futuro autor de A Felicidade Não Se Compra e seu
roteirista favorito, Robert Riskin. Com uma energia inventiva e generosa que
nos recorda curiosamente outro filme de 1932, La Nuit du Carrefour (realizado
nos subúrbios de Paris por Jean Renoir), Capra conta a história de um diretor
de banco (Walter Huston) que está prestes a perder o emprego. Este homem, que
prefere emprestar o dinheiro parado nos cofres e que ama seus pequenos
funcionários, é fortemente criticado por seu “board of directors”. O começo do
filme (cinco homens na impressionante sala dos cofres) e a sua primeira parte (o
pânico que se instaura entre os pequenos correntistas) são de um virtuosismo de
perder o fôlego. Capra conta em suas memórias que cortou o começo e o fim de
cada cena para poder ir mais rápido. Em uma hora e quinze minutos, ele constrói
sua obra com uma engenhosidade a qual perderá sistematicamente ao longo dos
anos que se seguirão.
Tradução: Yuri Ramos
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